Você é o responsável daqui pra frente

Você não é responsável pelo que aconteceu na sua vida até agora, mas é responsável pelo que vai fazer dela daqui para frente.

A infância é a etapa mais importante da nossa vida. É a ela que recorremos quando precisamos ser fortes ou quando estamos mais fragilizados. A maneira como lidamos com as nossas frustrações e a forma como superamos – ou não – os desafios que a vida nos apresenta diz muito sobre os nossos primeiros anos de vida.

Convido você, agora, a olhar para dentro de si e refletir quanto de quem você é hoje tem da criança que você foi ontem. Convido você a abraçar suas memórias e acolher a criança que existe aí dentro.

As dores vindas das desconexões afetivas vividas anos atrás impedem que nós, homens e mulheres, estejamos entregues emocional e afetivamente às relações que estamos construindo agora, na fase adulta. Mais especificamente a nossa relação com nossos filhos.

É preciso resgatar a infância e acolher os sentimentos vividos ali e ainda presentes para que possa, então, acolher os sentimentos do seu filho hoje. Refletir a bagagem emocional que você carrega dentro de si é fundamental para encontrar novos caminhos em direção a uma parentalidade positiva.

Não podemos mudar o que passou, mas podemos escolher fazer diferente daqui para frente.

Educar é, antes de tudo amar, respeitar e encorajar. Mas por que muitas vezes é tão difícil entendermos e exercermos nossa parentalidade de forma consciente? Porque muitos de nós não fomos acolhidos e compreendidos na nossa infância. Nos desviamos de quem somos para sobreviver. Hoje, por fim, temos imensa dificuldade em estar em sintonia com nossos filhos.

Não sabemos acolher seus sentimentos porque não nos sentimos acolhidos nas nossas próprias angústias e inseguranças. Então, antes de olharmos para os nossos filhos, precisamos fazer esse resgate e entender que é preciso fazer diferente.

A forma como hoje lidamos com os sentimentos e os desafios apresentados pelos nossos filho irá refletir diretamente no adulto no qual ele se transformará.

Os desafios comportamentais que eles nos apresentam falam mais sobre nós do que sobre eles.

Precisamos nos libertar da sombra da nossa infância e proporcionar uma infância saudável emocionalmente aos nossos filhos.

Quantos rótulos você recebeu  durante a sua meninice dos quais hoje não consegue se livrar? “Briguento”, “tímido”, “bonzinho”, “ranzinza”, “mal humorado”, “perfeito”, “exibido”, “provocador” e tantos outros…

Aprisionar as crianças nesses modelos comportamentais é aprisioná-las em caixas e não lhes dar a possibilidade de ser diferente. Ser sempre aquela que briga ou ser sempre a boazinha que aceita tudo é pesado demais. Aprisiona e diminui as possibilidades de crescimento.

Quantos choros ainda estão presos aí dentro? Quantos “sim” você disse apenas por medo das consequências. Quantos “não”, você não aprendeu a dizer?

Nossos filhos são fruto do que somos. É urgente voltarmos o olhar para dentro antes de olhar para fora.

Maria Cecília Helal é mãe do Miguel e da Letícia e Pedagoga. Especializou-se em Disciplina Positiva e Parentalidade. Compartilha suas ideias e sua experiência materna e profissional no ig @nos4umtime.

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